Em relação à medicina preventiva, o que pode ser feito em geriatria?
- Dr. Medbook

- 9 de ago. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de mar. de 2021
Medicina preventiva é a especialidade médica que se dedica à prevenção da doença ao invés de seu tratamento.
De acordo com Leavell e Clark existe muita confusão entre os termos medicina preventiva e saúde pública e as tentativas de distinção dos termos apenas por meio de definições tendem mais a confundir que esclarecer. Segundo eles, é preferível considerar, de um lado, o modo pelo qual um administrador em saúde pública pratica a medicina preventiva e, de outro a forma como faz o profissional privado.
As profissões de saúde relacionadas ao serviço público atuam a partir de dados epidemiológicos com a perspectiva de intervir nas doenças ou agravos de maior freqüência (transmissibilidade) e gravidade considerando sua vulnerabilidade à tecnologia existente e o menor custo possível. A rigor, os profissionais privados que atuam na área preventiva tem a perspectiva de identificação precoce através da genética médica ou de exames preventivos capazes de permitir uma intervenção para minimização do dano na prática médica denominada medicina de família não atrelada aos programas de intervenção política e social.
Identificar e tratar doenças continuam sendo objetivos para o geriatra moderno, mas isso não basta. Conhecer como o idoso está exercendo suas tarefas no dia a dia e seu grau de satisfação exige que o médico investigue funções básicas como independência para alimentar-se, banhar-se, movimentar-se e higienizar-se e outras mais complexas como trabalho, lazer e espiritualidade. É o que chamamos de avaliação funcional. Associada à avaliação das capacidades cognitivas e do humor, assim como à presença de distúrbios comportamentais, ela fornece um quadro que vai muito além da mera lista de patologias.
O idoso que mantém sua autodeterminação e prescinde de ajuda ou supervisão no dia a dia deve ser considerado saudável, ainda que portador de uma ou mais doenças crônicas. Decorre daí o conceito, já abordado aqui, de capacidade funcional.
Assumir como objetivo isolado identificar e tratar doenças em idosos traz importantes limitações, pois é comum que as doenças se manifestem de forma atípica, dificultando o diagnóstico, e é frequente o aparecimento de problemas no formato de síndromes, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas comuns a várias doenças, muitas vezes crônicas. E resulta que o único objetivo do geriatra passa a ser o controle dessas diversas manifestações.
Como o principal fator de risco associado aos problemas de saúde do idoso é a própria idade, e a multiplicidade de doenças crônicas é uma característica frequente na velhice, a estratégia de cuidados deve ser distinta em relação à empregada nas demais faixas etárias. É preciso monitorar os problemas de saúde do idoso, para estabilizar seu quadro e manter sua capacidade funcional pelo maior tempo possível.





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